segunda-feira, outubro 15, 2007

A tragédia dos professores enlouquecidos

O choque de vítimas é visível quando uma professora agride um garoto que passou a vida sendo agredido

Por Gilberto Dimenstein - Folha de S. Paulo

Depois de pegar um de seus estudantes mais indisciplinados e agressivos pela gola e rasgar sua camisa, Sirley Fernandes da Silva, professora de uma escola estadual na periferia de São Paulo, pediu licença médica e resolveu procurar um psiquiatra -já não sabia lidar com tanto desrespeito em sala de aula. “O aluno era terrível, mas depois fiquei com pena dele. Quando chamamos os pais e percebemos como são ausentes da vida dos filhos, vemos que o garoto também é uma vítima. O aluno fica em casa abandonado e, muitas vezes, vai para a escola só para comer.”

Depois de um ano de terapia, Sirley não abandonou o magistério, apenas trocou de série. Passou a dar aulas no ensino médio, onde, segundo ela, havia uma “vantagem”: “Os alunos do ensino médio podem ser mais agressivos verbalmente, mas os do fundamental partem para a agressão física”.

Difícil saber o que é mais dramático: a professora descontrolada pedindo socorro ao psiquiatra ou a “vantagem” que ela encontrou ao dar aulas para estudantes mais velhos e apenas ser xingada.
O caso de Sirley faz parte de uma tragédia conhecida quase exclusivamente por especialistas: a epidemia de distúrbios mentais dos professores brasileiros, provocados, entre outros motivos, pela violência e pelas condições de trabalho ruins. Diante desse massacre psicológico, um minuto de silêncio seria uma forma apropriada de comemorar, amanhã, o Dia do Professor.

O cansaço psicológico de Sirley ajuda a explicar uma informação divulgada pela Folha na sexta-feira sobre o desempenho escolar em uma das regiões mais ricas do país. Segundo testes aplicados pelo governo estadual, 37% dos estudantes que concluem o ensino fundamental são totalmente analfabetos. Nada menos do que 72% das escolas nessa região estão em “estado de atenção”, devido ao baixo aprendizado. Entende-se como as crianças se tornam adultos incapazes de compreender um texto simples.

O problema dos salários não é o maior dos males -o maior de todos são as condições de trabalho. Uma pesquisa realizada neste ano pela Apeoesp (sindicato dos professores estaduais) levantou, pela ordem, os seguintes problemas: superlotação em sala (73%), falta de material didático (67%), dificuldade de aprendizagem dos alunos (65%), jornada excessiva (64%), violência nas escolas (62%).

De acordo com essa pesquisa, 80% dos professores apresentam o cansaço como um sintoma freqüente, 61% sofrem de nervosismo, 54% padecem com dores de cabeça e 57% têm problemas com a voz. Cerca de 46% deles tiveram diagnóstico confirmado de estresse.

Devemos examinar esse dados com certa atenção porque, primeiro, vêm de um sindicato, que tende a exagerar seus dramas para exigir benefícios à categoria, e, segundo, porque existe uma indústria da licença médica, vista quase como um direito adquirido para compensar tantas adversidades.

Mas quem freqüenta escolas públicas, especialmente na periferia, sabe que, de fato, o professor é massacrado diariamente -assim como seus alunos são massacrados, vítimas de uma série de mazelas que acabam afetando seu aprendizado. O professor é obrigado a lidar com o aluno que não ouve direito porque não sabe limpar direito o ouvido, que sofre de dislexia nem ao menos diagnosticada ou que é vítima da violência ou do descaso doméstico.

O massacre é crônico, de tal forma que, dificilmente, se conseguiria atrair talentos para as escolas públicas -especialmente, para quem mais precisaria desses talentos, que são os mais pobres. Não atraindo, cria-se um círculo vicioso da miséria educacional. O que se nota, além de um absenteísmo enorme, com ou sem justificativa, é uma rotatividade incessante de professores e de diretores.

Pense numa das empresas mais sólidas do Brasil e imagine que os funcionários se comportem como se estivessem numa escola pública -estressados, desmotivados, nem punidos por seus erros, nem premiados por seus acertos. E tudo isso apoiado num forte corporativismo. E, em muitos casos, como mostrou a Folha na semana passada, com cargos de direção escolhidos por políticos. Em quanto tempo essa empresa quebraria?

Oferecer melhores salários certamente ajudaria, a longo prazo, a atrair talentos. Mas, a curto prazo, nesse massacre a que estão submetidos os professores, duvido que funcione. Faz mais sentido oferecer prêmios a escolas que demonstrem mais esforço e ir, aos poucos, criando exemplos, enquanto se melhoram as condições de trabalho, os currículos e os cursos de formação dos docentes.

Nessa briga, não há mocinhos nem bandidos. É, na verdade, um choque de vítimas, visível quando uma professora, desesperada, agride um garoto que passou a vida sendo agredido.

O que dá para dizer, com certeza, é que não se constrói uma nação civilizada com professores enlouquecidos.

Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo (15/10/2007), editoria Cotidiano.

http://tribunapopular.wordpress.com/2007/10/15/a-tragedia-dos-professores-enlouquecidos/

domingo, outubro 14, 2007

O ensino vai à Bolsa

Grupos privados abrem o capital no mercado financeiro e iniciam novo ciclo no setor, baseado em fusões, aquisições e na disputa por alunos de menor renda.
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Por João Marcello Erthal e Lívia Perozim. Carta Capital. Edição 466.

No saguão da Bolsa de Valores de São Paulo, o professor Antonio Carbonari estica o terno, posa para um fotógrafo e faz planos de estampar, ao lado de marcas consagradas no pregão, o nome da Anhanguera Educacional. “Estamos no verde, significa que subimos. Fantástico”, diz o empresário, recém-chegado ao mercado financeiro, embasbacado com o sobe-e-desce das ações.
Carbonari está encantado e tem suas razões. Seis meses após a abertura de capital, a Anhanguera havia captado 512 milhões de reais, resultado excepcional para uma empresa tão nova na Bolsa. Outros dois grupos educacionais seguiram o mesmo caminho.

O Kroton, da rede Pitágoras, que tem entre os sócios o ministro Walfrido dos Mares Guia, conseguiu 479 milhões de reais. A Estácio Participações, controladora da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, embolsou 447 milhões. O COC, do interior paulista, está em negociação com os investidores.

Outras tantas escolas estão ávidas por participar da bonança financeira que o ensino superior atravessa, nova aposta dos investidores brasileiros e estrangeiros. “Vejo o mercado de educação como um supermercado. Estou vendendo um produto. Só que, em vez de vender tomate, meu produto é um assento para o aluno estudar”, compara o economista Marcelo Cordeiro, da Fidúcia Asset Management, especializado em buscar investimentos para o setor.

O efeito dessa onda de dinheiro novo nas faculdades, por meio da Bolsa de Valores, deve ser a concentração de mercado. Anhanguera, Kroton e Estácio já figuram entre os maiores grupos brasileiros. Só a Estácio tem 185 mil alunos. Quanto mais aplicadores atrair, mais as faculdades e universidades terão de apresentar resultados financeiros satisfatórios.

Em geral, a forma mais fácil de crescer é adquirir ou se fundir a um concorrente. Resultado: a abertura de capital vai levar necessariamente à consolidação dos gigantes do ensino. “A concentração é um caminho sem volta. Já aconteceu nos Estados Unidos e vai acontecer aqui. Quem ficar de fora está morto”, prevê Cordeiro.

Os limites da mercantilização estão, para o secretário de ensino superior do Ministério da Educação (MEC), Ronaldo Mota, na preservação da qualidade do ensino. “O setor privado ocupou o lugar que o público não conseguiu ou não quis ocupar”, admite, ressaltando que, apesar de este novo mercado se mostrar lucrativo, cabe ao governo fazer com que a educação não seja confundida com mercadoria.

“A Constituição diz que o ensino é livre à iniciativa privada, desde que cumpra as regras gerais da Educação Nacional. Temos de avaliar e regulamentar para que isso não se torne uma simples disputa de mercado, o que pode fazer com que a instituição de qualidade sofrível, com valores de mensalidade menores, sacrifique as instituições de mais qualidade. A missão agora não é sufocar o crescimento do sistema privado, mas garantir que ele seja feito com controle de qualidade”, afirma.

Manter o controle sobre o setor privado representa, por causa do tamanho que as instituições particulares alcançaram no Brasil, um desafio de grandes proporções. Há, hoje, no País 2.141 escolas superiores privadas, que reúnem 4,4 milhões de alunos. As públicas somam 257 e têm 1,4 milhão de estudantes.

Para o cientista político Edson Nunes, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) e Pró-Reitor de Desenvolvimento e Planejamento da Universidade Candido Mendes, o ensino superior expandiu-se exclusivamente ao sabor do mercado.

“O País deliberou, ou vem deliberando, se preferirmos, expandir os cursos superiores por meio do setor privado. Mas não tomou um conjunto de outras medidas necessárias a, de um lado, tirar vantagens dessa deliberação, e, de outro, adequadamente administrar suas premissas e conseqüências”, analisa, no estudo Desafio Estratégico da Política Pública: o Ensino Superior Brasileiro, concluído em julho deste ano.
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quinta-feira, setembro 27, 2007

Dói

U Dóóóóóóóóóiiiii meu peito!!!

Malditos desejos; D maldita expectativa. e

U Dóóóóóóóóóiiiii meu cérebro!!

Bendita ressaca...I

QUEM MATOU TAÍS?

Lá para os idos de 1990, Renan Calheiros era um fiel escudeiro de Fernando Collor. Lembro que ele chamava atenção pelo cabelo sempre despenteado. Era uma figura estranha, vivendo na sombra do poder. Foi eleito senador pelo estado de Alagoas em 1994 e reeleito em 2002. Quando do impeachment, fazia parte da “tropa de choque” que defendia Collor. Collor se foi, mas Renan ficou. E aprendeu como poucos a navegar no mundo da política. Foi ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso, ocasião em que presidiu a XI Conferência dos Ministros da Justiça dos Países Ibero-Americanos, e pouco depois a reunião dos ministros do Interior do Mercosul, Bolívia e Chile. Foi também presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran); do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda); do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e do Conselho Nacional de Segurança Pública (Conasp). Em 2002, foi um dos mentores do Estatuto do Desarmamento. Chegou a Presidente do Senado Federal em 2005 e foi reeleito em 2007. O cabelo despenteado desapareceu, a roupa melhorou, o patrimônio aumentou. E ele acabou traçando aquela tetéia que era repórter da Rede Globo.
O resto já sabemos. O escudeiro transforma-se na figura central da política brasileira durante o primeiro semestre de 2007. Surgem denúncias em cima de denúncias. Mas o cara não cai. Resiste bravamente, de tal forma que começamos a desconfiar que ele tem mais do que inocência.Ele sabe das coisas. Ou melhor, ele sabe de coisas. Sabe tanto que pode ameaçar:
- Se cair, levo um monte junto.
Esse é o risco que corre quem tem escudeiro. O escudeiro conhece as manias do príncipe, as fraquezas do príncipe, as sacanagens do príncipe. E seu conhecimento pode destruir o príncipe. Para livrar-se dele o príncipe tem que mandar matar. Ou aceitar a chantagem.
O que assistimos nos últimos meses talvez seja um dos maiores escândalos de chantagem pública “destepaíz”. Nunca antes um senador teve em suas mãos tanto poder, tanto conhecimento para causar medo.
Veja só:
· Provoca o afastamento de Fernando Collor, que se licencia de seu mandato reconquistado depois de cumprir a pena pelo impeachment. Collor não pode votar contra seu ex-escudeiro.
· Provoca a saída do país do Presidente Lula, que faz teatro do outro lado do mundo.
· Destrói a carreira de Aloísio Mercadante, que mais uma vez tenta explicar o inexplicável, justificar o injustificável.
· Expõe a cara-de-pau de um Romero Jucá, de um Epitáfio Cafeteira.
· Deixa explícito que a mídia pode muito, mas não pode tudo.
· Mancha definitivamente a imagem do Senado.
É poder demais para um senador só, o que nos leva a perguntar: o que é que Renan sabe?
Eu posso imaginar.
Sabe de outros senadores e deputados que usam dos mesmos expedientes que ele usou para benefício próprio.
Sabe tudinho do mensalão.
Sabe das negociatas para compra de votos, para mudança de legenda, para proteção de empresas devedoras frente ao fisco.
Sabe das doações de bancos e grandes empresas.
Sabe de concessões de rádio e televisão.
Sabe quem come quem.
Sabe dos propinodutos variados (aliás, quando é que uma CPI vai dedicar-se a esmiuçar os contratos da área de informática no governo?).
Deve saber dos acordos envolvendo as Farcs. Chavez. Fidel Castro.
Sabe de muitos outros filhos fora do casamento.
Talvez Renan saiba quem matou Celso Daniel e o Toninho do PT.
Deve saber sobre os bastidores das privatizações.
Conhece alguns – ou muitos – podres envolvendo as grandes estatais.
Sabe do Kia, do Boris e do Corinthians...
Renan tem o poder supremo: informação. Ele manda em quem quiser. Ele dita regras, exige apoio e faz tremer. Renan pode tudo. E sabe que pode. Daí aquela segurança, aquela arrogância, aquele sorrisinho, aquele “abisolutamente”, aquela certeza, aqueles abraços e apertos de mão inexplicáveis. Renan é o cara.
Quer saber? Eu acho que Renan sabe até quem matou a Taís.
E nós, que pensamos que sabemos das coisas e na verdade sabemos de nada?
Vamos seguir a vida, bovinamente resignados e obedecendo ao supremo mandamento do novo Brasil:
– Cale a boca. E compre.
Será que o Renan sabe até quando?

Este artigo é de autoria de Luciano Pires (www.lucianopires.com.br) e está liberado para utilização em qualquer meio, contanto que seja citado o autor e não haja alteração em seu conteúdo


PS: Gostaríamos de acrescentar que o (A)Berração apoia o senador Renan Calheiros. Chega de cultura da miséria; ser bonzinho é o caralho! Eu quero é pa(i)trocínio!!!

sexta-feira, setembro 14, 2007

No dia em que Jim Morrison me guiou...

Esperei alguns minutos por um trem na estação central de Leiden. O destino: Amsterdam. Fazia um tempo relativamente bom para uma pessoa que está acostumada ao calor constante que assola no Recife. Carregava na bolsa dois sanduíches, uma maçã, um pacote tamanho médio de Spekulaas e dois Stroopwafels. Além da bolsa e do casaco leve, um cachecol me decorava. O gorro já fazia parte de mim, pois sempre senti frio nas orelhas. Após aproximadamente trinta minutos de viagem de trem cheguei na estação central de Amsterdam. Não me sentia a vontade em Amsterdam, talvez porque a cidade é grande demais para os padrões de Leiden ou porque nunca tive um bom senso de direção. Sabia que o mapa da cidade, cedido gentilmente por Daniel, não seria de grande valia, uma vez que sempre me desloco pelos lugares marcando o caminho visualmente. O mapa, portanto, não seria de grande utilidade, já que era apenas a terceira vez que eu pisava na cidade. Saí por um dos portões apinhados de gente de toda a qualidade tentando imaginar qual seria meu próximo passo. Eu tinha que chegar na N.Z. Voorburgwal. A explicação que Daniel me deu para navegar com seu mapa teria sido de grande valia se eu tivesse feito o caminho correto desde o começo, mas depois que eu saí cruzando várias ruas, tive a certeza, em pouquíssimos minutos, de que estava perdido. E mais, sem querer bancar o "turista com o mapa na mão" eu saí andando loucamente. Não sei como, mas consegui fazer o caminho totalmente inverso do que deveria. Eu já tinha atravessado dezenas de ruazinhas e continuava a andar apressado como um recifense faz na Avenida Guararapes (já reparou como as pessoas andam em Recife?!) quando desisti instintivamente. Imaginei que já era a hora de parar alguém na rua para perguntar sobre como chegar ao meu destino. O primeiro gringo que parei andando na rua devia ter quase dois metros de altura e tinha uma cara de poucos amigos. Mas ele foi muito gentil e me auxiliou com o mapa. Incrível como os holandeses, em geral, conhecem de mapas e sabem se guiar bem nas ruas estreitas da maioria das suas cidades. Ele me disse que eu estava no caminho totalmente oposto e que eu deveria voltar para a estação central e localizar um grande hotel na esquina da rua procurada. Era para lá eu devia ter ido de primeira. Era o mais fácil a se fazer, mas eu fiz totalmente o oposto. Ele deve ter ficado imaginando o quão desnorteado eu era, e me desejou boa sorte. Eu agradeci e fui andando e fazendo o reconhecimento ruas que tinha atravessado alguns minutos antes.
Após uma nova caminhada eu consegui realizar a proeza de me perder de novo. Mas dessa vez o caminho era mais fácil. Eu conseguia avistar o Prins Hendrikkade e a estação central que eram mais do que pontos de referência. Eu podia voltar para lá e tentar refazer o caminho. Mas eu decidi arriscar novamente e saí andando em direção a primeira rua que vi. Ao passar rapidamente por uma rua, vi um Coffeeshop chamado The Doors. Na hora não me dei conta, mas retornei, não sei o porquê, e parei ali mesmo para perguntar para alguma pessoa a direção. Eu me dirigi a alguém que estava sentado em um banquinho daqueles de piquenique, e que estava tomando um café enquanto lia um jornal. Era uma figura magra, que usava óculos escuros e mexia lentamente uma colherzinha como se quisesse espalhar bem o conteúdo da xícara. Depois percebi que eu tinha parado na porta de um Coffeeshop para pedir informações! Inicialmente pedi desculpa por interromper o café dele. Em seguida, perguntei se ele sabia onde era a Nieuwezijds Voorburgwal. Ele começou a falar inglês comigo, talvez por achar meu holandês ruim. (Geralmente, quando estou nervoso ou apressado não consigo me expressar bem em outra língua). Eu disse para o homem que não falava bem inglês, mas que falava um pouco de holandês. Gosto de fazer isso para forçar o diálogo em holandês, mas quase sempre eu volto a falar inglês, dada a debilidade de meu holandês. Ele nem deixou que eu avançasse no diálogo e me interrompeu perguntando se eu estava procurando putas. Ele repetiu a palavra prostituta em holandês (hoeren) - para dar ênfase ao questionamento - e eu me lembrei que a rua que eu procurava ficava próxima ao Red Light District! Disse que entendia o significado, mas que não estava atrás de garotas. Perguntei novamente se ele sabia se a Oxford House ficava na rua em questão e ele confirmou com a cabeça. Depois me explicou o que eu deveria fazer para chegar na N.Z. Voorburgwal. Agradeci e saí rindo. No caminho saí cruzando vários outros Coffeshops, que tinham estampados em suas vitrines as cores da Jamaica, retratos de Bob Marley, folhas de maconha, etc, e sentido diversos aromas de cannabis que eram consumidas nesses locais.
Acho que foi Jim Morrison que me enviou inconscientemente para aquele Coffeeshop. Fiz algo realmente não convencional ao pedir a direção para um chapado na porta de um Coffeeshop. Ao menos deu certo!