- PUTA QUE PARIU! UM FIM PARA A HISTÓRIA! EU NÃO AGUENTO MAIS!!! - gritou o homem num bar.
- Tome uma dose... - disse o garçom, servindo-o - O mundo não vai parar para ver você chorar...
segunda-feira, julho 30, 2007
Serviço de utilidade pública
Aberração... o retorno
Faz um tempão que ninguém escreve nada aqui. É possível que as pessoas que leram algo já tenham desistido, se é que tinha alguém lendo algo! Mas na falta de textos, vamos ficar postando porcarias diversas. Mandem as suas também. Se não tivermos que fazer novas senhas e logins para o Aberrablog pode ser que tenhamos alguma regularidade nos posts hahaha
terça-feira, agosto 15, 2006
Entrevista do Marcola (PCC)
Jornal: O GLOBO
Editoria: Segundo Caderno
Edição: 1, Página: 8
23/05/2006
Estamos todos no inferno. Não há solução, pois não conhecemos nem o problema
O GLOBO: Você é do PCC?
- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos. Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio: migração rural, desnível de renda, poucas favelas, ralas periferias... A solução é que nunca vinha... Que fizeram? Nada. O governo federal alguma vez alocou uma verba para nós? Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas... Agora, estamos ricos com a multinacional do pó. E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu? Sou culto... Leio Dante na prisão...
O GLOBO: - Mas... a solução seria...
- Solução? Não há mais solução, cara... A própria idéia de "solução" já é um erro. Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio? Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? Solução como? Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...). E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.
O GLOBO: - Você não têm medo de morrer?
- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... mas eu posso mandar matar vocês lá fora.... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem.Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.
O GLOBO: - O que mudou nas periferias?
- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda? Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório... Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... ha, ha... Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.
O GLOBO: - Mas o que devemos fazer?
- Vou dar um toque, mesmo contra mim. Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana? Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas... O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete anti-tanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí... Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo. Já pensou? Ipanema radioativa?
O GLOBO: - Mas... não haveria solução?
- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco...na boa... na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela. Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê? Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. Como escreveu o divino Dante: "Lasciate ogna speranza voi cheentrate!" Percam todas as esperanças. Estamos todos no inferno.
Contribuição de J. Kemps
domingo, agosto 13, 2006
"Os Cordeirinhos"
I - Queimando o cordeirinho:
Alvo como o dia pululava o cordeirinho por entre os pastos verdejantes da planície palestina. O sol brilhava lindamente naquele dia e o cordeirinho parou para saciar a sua sede em um olho d’água que jorrava água como o mar. Água mais límpida como a da mais pura fonte.
Nesse ínterim, um fervoroso crente se apoderou do pobre cordeirinho e cortou-lhe a água doce como cristal, o dia ensolarado, os pastos verdejantes, sua prática de existência e atirou-o aos deuses em um sacrifício.
II - A vingança dos cordeirinhos:
Escolheram logo o mais rechonchudinho dentre os homens vistos nas cercanias das planícies verdejantes nas proximidades do olho d’água e os vários cordeirinhos amarraram o gordinho com as mãos em cima de uma pedra, sagrada para os cordeirinhos, e começaram a espancar-lhe os dedos com seus cascos até quando eles, os dedos, ficaram homogêneos com a Grande Pedra, agora vermelha e gordurosa.
Escolheram logo o mais rechonchudinho dentre os homens vistos nas cercanias das planícies verdejantes nas proximidades do olho d’água e os vários cordeirinhos amarraram o gordinho com as mãos em cima de uma pedra, sagrada para os cordeirinhos, e começaram a espancar-lhe os dedos com seus cascos até quando eles, os dedos, ficaram homogêneos com a Grande Pedra, agora vermelha e gordurosa.
Saciada da sede que lhe afligia a Pedra inspirou os cordeirinhos a descascarem o homem em pancadas com seus cascos em cima de uma pedra muito maior.
Mas houve algumas dificuldades: 1° a outra pedra era muita maior; 2° o gordinho se remexia muito com cada cascada; 3° ele gritava coisas e coisas numa língua estranha; 4° assim deixava os cordeirinhos muito furiosos. Mas tudo ficou mais fácil quando os ossos começaram a se partir; principalmente quando o homem aceitou sua pedra e cessou de falar. Os cordeirinhos perceberam que poderiam saciar a sede de todas as pedras.
Os cordeirinhos não pararam mais; foram atrás de mais e mais homens para difundir sua pintura, sua mais refinada arte do contraste entre o verde e o vermelho das pedras nas planícies verdejantes. Os cordeirinhos tornaram-se grandes estetas.
Escritos do Jovem Anísio
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